Morada

Rua José Brandão de Almeida 12A 
2725-348 Mem Martins

Funcionamento:

9:00am - 7:00pm (Seg-Sex) 

Contacto

(+351) 21 806 8040 

Email:

consultas@espelhodeagua.org

Algumas pessoas fazem o papel da vítima, porquê?

Nas nossas interações diárias, é comum encontrarmos pessoas que parecem assumir o papel da vítima em diferentes situações. Estas pessoas têm uma tendência para se colocar no centro das circunstâncias negativas, procurando a atenção e a simpatia dos outros.

O papel da vítima; o jogo psicológico da vítima

Neste artigo, vamos explorar as possíveis razões por trás deste comportamento e discutir maneiras de ajudar os que estão presos a este papel.

Todos nós conhecemos alguém que faz o papel de vítima. É aquela pessoa que nunca tem sorte na vida, que reclama por tudo e por nada, é o “coitadinho”, o que culpa os outros pelos seus problemas e precalços da vida.

Esta vitimização, que pode ou não ser consciente, é causada por uma série de motivos, entre os principais podemos citar a dificuldade de fazer uma autocrítica. De acordo com a lógica de alguém que se vitimiza, é mais fácil estar numa posição de fragilidade do que assumir as consequências dos seus atos e amadurecer com erros. Como estas pessoas não conseguem responsabilizar-se pelas suas ações, acabam por culpar os outros e as circunstâncias da vida pelos seus infortúnios.

Quais  as Vantagens da Vítima?

Quem se faz de vítima normalmente tem baixa autoestima e não confia no seu potencial. É alguém que não se acha capaz de superar os obstáculos da vida e nem de conseguir a admiração dos outros através do próprio mérito. Assim, tenta manipular quem está a sua volta usando para isso o sentimento de pena. 

Entre as causas da vitimização podemos citar:

  • Frequentemente, quem faz o papel de vítima é controlador. Ao despertar pena nas outras pessoas tenta influenciar os pensamentos, ações e sentimentos alheios.
  • Carência afetiva. Costumam ser pessoas carentes de afeto e necessitam de sentir que são cuidados. Para isso,  colocam-se como alguém emocionalmente ferido.
  • Os seus problemas são sempre mais graves e mais urgentes que os dos outros.
  • Nunca têm culpa de nada. Mesmo quando não tem razão, a pessoa que se faz de vítima tenta mudar a realidade para culpar o outro pelo que se passa.
  • Imaturidade. Tendem a projetar as circunstancias da infância, quando eram realmente indefesos, para a vida adulta. Não reconhecem que agora deveriam ter uma bagagem emocional muito mais ampla para lidar com os problemas. 

Vitimização; baixa autoestima; manipulação; controladores

Como reconhecer a “vítima”?

Reconhecer quem são as pessoas à nossa volta que se fazem de vítima é fundamental para não entrar no jogo e assim deixar de reforçar a vitimização. Quem se faz de vítima costuma apresentar alguns comportamentos típicos. Os mais evidentes são: 

  • Acreditam que o mundo está contra eles
  • São muito negativos e não conseguem ver o lado positivo de nada
  • Qualquer contratempo pequeno vira um problema enorme 
  • Falta de empatia
  • Queixas constantes
  • Devido à incapacidade de reconhecer os seus erros, nunca pedem desculpas
  • São extremamente exigentes com os outros

Compreender o papel da Vítima

Assumir o papel da vítima pode ser uma forma inconsciente de lidar com situações difíceis. Algumas pessoas podem ter aprendido ao longo da vida que ser a vítima lhes traz atenção, cuidado e apoio emocional dos outros. Este comportamento pode ser reforçado por experiências passadas ou pela crença de que não têm controlo sobre as circunstâncias da vida.

Fatores que contribuem para manter o Comportamento

Diversos fatores podem contribuir para que alguém assuma o papel da vítima. Traumas passados, falta de autoconfiança, baixa autoestima, dificuldade em lidar com o stresse e medo do julgamento dos outros são alguns exemplos. Estas pessoas podem acreditar que são impotentes face aos desafios e encontram conforto temporário ao receber compaixão e apoio externo.

 Como deixar de fazer o Papel de Vítima?

O primeiro passo é reconhecer que se comporta desta forma e ter realmente vontade de mudar.  Pouco a pouco, é importante assumir as rédeas da sua vida, responsabilizar-se pelas suas escolhas, aprender a pedir desculpas quando erra e  parar de culpar os outros por tudo que lhe acontece. Durante este processo, contar com a ajuda de um psicólogo pode ser determinante para reinventar a sua nova forma de estar consigo e com os outros. 

Como deve relacionar-se com uma “Vítima”

Não somos responsáveis pelo comportamento do outro, mas podemos escolher as nossas reações em relação a ele. Assim, quando esta pessoa que se vitimiza começar a queixar-se, tente mudar de assunto ou afaste-se do local. Não alimente as reclamações, para cada comentário, negativo, acrescente um positivo. 

Outra estratégia, é manter um diálogo franco e direto , principalmente se for alguém próximo. Explique que a pessoa pode contar com o seu apoio, mas que não pode solucionar os seus problemas. Quando a conversa é transparente sem ser agressiva, as possibilidades de compreensão são bastante elevadas. E é muito  provável que ao perceber que o jogo da vitimização não funciona consigo, a pessoa deixe de lado a posição de inferioridade e passe a atuar de forma mais responsável e de igual para igual. 

Como podemos ajudar:

  1. Pratique a empatia: Tente compreender as dificuldades e os desafios enfrentados pela pessoa que assume o papel da vítima. Mostre empatia e valide as suas emoções, permitindo que ela se sinta ouvida e compreendida.

  2. Incentive a responsabilidade pessoal: Encoraje a pessoa a assumir a responsabilidade pelas suas ações e escolhas. Ajude-a a identificar o que está sob o seu controlo e a desenvolver estratégias para lidar com os desafios de maneira mais assertiva.

  3. Ofereça suporte construtivo: Forneça um ambiente seguro para a pessoa expressar as suas preocupações e frustrações, mas evite alimentar o papel da vítima. Incentive a procura de soluções e sugira recursos ou ferramentas que possam ajudá-la a enfrentar as dificuldades.

  4. Promova a autoestima e o autocuidado: Incentive a pessoa a desenvolver uma imagem positiva de si própria. Ajude-a a reconhecer as suas qualidades, habilidades e conquistas. Estimule a prática de atividades que promovam o autocuidado, como exercícios físicos, hobbies e momentos de relaxamento.

  5. Sugira ajuda profissional: Se o comportamento da pessoa persistir e interferir significativamente na sua vida e nos relacionamentos, sugerir a procura de apoio profissional, o que pode ser benéfico. Um psicólogo ou terapeuta pode ajudá-la a explorar as causas subjacentes e desenvolver estratégias mais saudáveis de enfrentar a vida.

Conclusão: Assumir o papel da vítima pode ser uma maneira de lidar com as dificuldades da vida, mas também pode limitar o crescimento pessoal e os relacionamentos saudáveis. Ao compreender as possíveis razões por trás deste comportamento e oferecer apoio construtivo, podemos ajudar estas pessoas a encontrar um equilíbrio mais saudável. Lembre-se de que cada indivíduo é único, e o processo de mudança pode demorar algum tempo. Seja paciente e esteja disposto a apoiar aqueles que procuram superar o papel da vítima e assumir o controlo das suas vidas.